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Ailim Braz


NOVO BLOG

Atenção: Este blog está desativado desde 13/12/2007.

Troquei o zip.net pelo Blogger, onde tenho postado meus novos textos.

Espero vocês no endereço http://www.ailimbraz.blogspot.com

 

 



Escrito por Ailim Braz às 17h40
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Transportes

Viagem suja e sem educação

Empresas se esforçam em manter a limpeza dos ônibus, mas passageiros não contribuem. Falta de consciência os expõe a doenças e a viagens desagradáveis

 

Ailim Braz

 

          Ao entrar, percebe-se a sujeira logo na porta, embaçada de tanta poeira. Nos degraus, assim como em todo o restante do ônibus, nota-se o excesso de barro, chicletes grudados ao chão e embalagens deixadas pelos passageiros. Alguém pode até não se sentir incomodado com a situação. Mas a sujeira no interior dos veículos pode ficar ali, acumulando-se por muito tempo. As empresas de ônibus, apesar de contarem com serviço periódico de limpeza, não contam com a colaboração das pessoas. E o fluxo contínuo de passageiros aliado ao lixo e aos restos de alimentos deixados por eles, podem ser fonte transmissora de doenças.

          É o que garante a infectologista Mônica dos Reis. Segundo ela, a limpeza do transporte coletivo, além de deixar a viagem mais agradável, pode fazer bem à saúde. Por ser um ambiente fechado, no qual circulam milhares de pessoas ao longo do dia, o interior do ônibus é propício à propagação de vírus, bactérias, fungos, protozoários e outros microorganismos causadores de infectologias como viroses, conjuntivite e infecções da pele. Os restos de alimentos e os cantos entre os bancos e as paredes do ônibus tornam-se convidativos aos insetos. “Nossas próprias roupas e calçados estão repletos de germes e bactérias. Como, no ônibus, as pessoas ficam muito próximas umas das outras, expostas a tosses, espirros, e respirando o mesmo ar, a contaminação é inevitável”, afirma.

          Mônica dos Reis defende que o ideal seria as pessoas evitarem ambientes como esse, mas admite ser impossível. Como prevenção, a médica aconselha a adoção de hábitos de higiene e destaca a importância de se lavar as mãos com freqüência e evitar colocá-las nos olhos e na boca, além colaborar com a limpeza interna dos transportes coletivos. Hábito que, segundo a maioria dos funcionários das empresas de ônibus, está longe de ser adotado.

          Há 14 anos na Viação Planalto (Viplan), o cobrador João Lopes conta que a empresa faz sua parte. “Os passageiros não zelam pelo bem público. Pensam que estão prejudicando ao governo ou aos donos da companhia, mas eles andam é de avião. Quem sofre com a limpeza dos ônibus somos nós”, lamenta.

          Outro funcionário da Viplan, o fiscal Augusto Ferrari, prefere não generalizar. Conta que muitas pessoas têm consciência e colaboram com a limpeza. De acordo com o fiscal, todos os dias, por volta das 20h, os carros começam a ser recolhidos para as seis garagens da empresa, onde são lavados por uma equipe de serventes. Também diariamente, segundo Ferrari, agentes do Transporte Urbano do Distrito Federal (DFTRANS), vistoriam os veículos na Rodoviária do Plano Piloto, “lacrando” os que não estão em condições mínimas de limpeza. Os ônibus retornam à garagem e só voltam a circular quando limpos.

          A cobradora Laura Jane, também da Viplan, nem chega a notar o trabalho feito na noite anterior, para a limpeza do veículo. Ao iniciar o turno de trabalho, por volta das 12h42, na linha 394 (que liga a Rodoviária do Plano Piloto à Samambaia Sul), o que se vê é lixo para todo lado. “Nem parece que o ônibus foi limpo. Eu mesmo nunca vi ninguém da limpeza. Tanto que, quando alguém vomita no ônibus, sou eu ou o motorista quem deve limpar”, lamenta.

          Fiscal da empresa São José há três anos, Carlos Martins admite que, às vezes, motoristas ou cobradores fazem mesmo esse serviço. “É desagradável. Mas se não tem ônibus reserva para substituir o vomitado, o jeito é encostar e fazer a limpeza na rodoviária mesmo”, diz. Martins também comprova Ferrari, mas pondera: “as vistorias do DFTRANS não são diárias. Acontecem mais ou menos uma vez por semana”.

          Apesar de estar na empresa há apenas um mês, o cobrador da Pioneira Ricardo Gomes já avalia a limpeza e o comportamento dos passageiros. “O ônibus sai impecável da garagem. Mas não demora a ter papel de bala e chiclete espalhado por aí. Ainda que tivesse uma lixeira em cada banco os passageiros não jogariam o lixo no lugar”, critica. E acrescenta: “barro e água por causa da chuva, tudo bem! Mas espalhar lixo pelo ônibus é falta de educação”.

          O engraçado é que os passageiros se incomodam mais com a lama e bancos molhados do que com o lixo e as baratas que se multiplicam dentro dos ônibus. Segundo a Central Única de Atendimento do GDF (Governo do Distrito Federal), reclamações sobre o transporte coletivo não são freqüentes e, quando ocorrem, referem-se às janelas que foram deixadas abertas durante as chuvas, molhando o interior do veículo.

    

O Infectologista é o médico especialista no diagnóstico, tratamento e acompanhamento de doenças infecciosas e parasitárias, como pneumonia, hepatite viral, cistite ou pielonefrite (infecção urinária na bexiga ou rim), meningite e piodermite (infecção na pele). O desconhecimento sobre o campo de atuação do infectologista faz com que, na maioria das vezes, a população procure outras especialidades médicas.

     Há quatro meses em intercâmbio estudantil nos Estados Unidos, Mariana Bárbara compara a limpeza dos ônibus norte-americanos à dos brasilienses e conclui haver falta de consciência da população. Segundo a estudante, os ônibus operam em condições parecidas (possuem uma lixeira na frente, outra nos fundos e uma ao centro do veículo), mas o diferencial é a educação. “Todos comem, bebem, fazem bagunça, mas nunca deixam o lixo espalhado. Muito menos jogam pela janela. No Brasil, as crianças não aprendem a respeitar a coisa pública. Acham que não jogar lixo dentro de casa já é o bastante e não têm consciência



Categoria: Textos Jornalísticos
Escrito por Ailim Braz às 01h58
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Melhor Idade (parte 1)

Festa, namoro, sexo e Aids

Após os 50, prazeres e problemas ainda fazem parte da vida

 

Ailim Braz

 

Domingo à tarde, depois do almoço, começa a preparação. O melhor vestido, sapatos, batom nos lábios, perfume, aquele penteado especial nos cabelos e muita animação. Tudo pronto para o baile. Encontrar os amigos, conversar, dançar um forrozinho e, quem sabe, conquistar um novo namorado. Se tiver difícil de arranjar um par, nenhum problema! Dança-se até mulher com mulher. O essencial é se divertir, fazer novas amizades e se distrair.

Os bailes da 3ª idade têm sido a principal opção de lazer e de interação social da maioria da população idosa brasileira. Só em Brasília, pelo menos 59 grupos desenvolvem atividades voltadas a esse público, cada vez mais numeroso. Um deles é o Grupo Amizade, que atende às comunidades das cidades do Guará 1 e Lúcio Costa, e oferece atividades como cursos de artesanato e alfabetização, festas, excursões, palestras e bingos, além dos próprios bailes, onde os idosos podem se socializar e aprender coisas que antes estavam fora de seu alcance.

E os sexagenários não são os únicos participantes. Às vezes, vovôs e vovós levam toda a família aos bailes, inclusive, para lhes apresentar o novo namorado ou namorada. Apontado pelos idosos como a melhor das atividades, as festas dançantes costumam ser movidas a muito forró, caldos, refrescos, salgados, biscoitos, chá e café. Acontecem às sextas-feiras e aos domingos, à partir das 14h30, em um salão próximo à Igreja São José, no Lúcio Costa. Entre as principais reclamações dos freqüentadores, está a falta de parceiros para a dança.

 

Relacionamentos

Segundo Iraídes Pereira, 52 anos, o baile é um ótimo lugar para quem quer namorar. Mãe de cinco filhos, divorciada, conta já ter arranjado vários namorados ao longo do tempo que freqüenta o salão. Quanto à posição da família, Iraídes revela que os filhos mantêm-se indiferentes às suas relações afetivas. Já para André Machado Lopes, 70 anos, é comum o apoio de familiares em seus relacionamentos. André, que prefere chamar de “amigas” às suas namoradas e de “uma troca de idéias” aos seus namoros, esconde o fato de já ter namorado uma outra senhora há oito anos, enquanto ainda era casado. O caso é revelado pela namorada dele na época, Perciliana Teles de Oliveira, freqüentadora do baile e, agora, amiga de André. Aos 74 anos de idade, pensionista e mãe de cinco filhos, Perciliana ficou viúva pela segunda vez em meados do ano passado, quando um senhor a quem conhecera em um dos bailes, e com o qual se casara, faleceu. “Depois que nos casamos, ele foi morar em minha casa e revelou uma personalidade desconhecida. Endoideceu. Queria me controlar e me impedir de viver. Então, Deus o fez voltar para a casa da filha e, depois de alguns meses, infelizmente ele morreu”, recorda.

 

Sexo seguro

Da mesma forma como é crescente o número da população idosa mundial e o de relacionamentos amorosos após os 50 anos, o aumento da contaminação por DST (doenças sexualmente transmissíveis) nessa faixa etária tem preocupado os geriatras. No Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde, 2% da população acima de 60 anos tinha o vírus da Aids, em 2004.

Em entrevista publicada no Folha Online, em março de 2004, o Presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria no Distrito Federal, Renato Maia, deu o seu parecer sobre o caso. Segundo ele, o crescente número de casos de Aids entre os idosos é uma combinação cultural e moral, influenciada também pelo uso de recursos que prolongam o interesse sexual, como o Viagra. "O homem mais velho tem mais dificuldade de aceitar o preservativo, porque ele associa isso à sua juventude, quando não se usava camisinha, e quando usada tinha o destino único e exclusivo à prostituição", afirma.

Para Jane Teles, que desde 1986 coordena o Grupo Amizade, o principal motivo para a contaminação dos idosos é a desinformação e a apelação ao sexo no dia-a-dia. “Muitos homens idosos procuram mulheres mais novas, normalmente prostitutas, e como não têm o costume de usar preservativos, acabam pegando a doença e passando para as parceiras”, afirma. Segundo a coordenadora, já ocorreram vários casos de Aids entre os freqüentadores do Grupo. “Eles dificilmente admitem. Fico sabendo pelos familiares que me comunicam o fato. Então trabalhamos para não os deixar cair em depressão emocional e para que não sejam discriminados pelos amigos”.

Conscientes e apaixonados, José Messias Ribeiro, 68 anos, e Elenísia Franco da Silva, 63 anos, sabem do risco do sexo sem proteção. Os dois se conheceram em um baile da 3ª idade, há menos de um mês, e já pensam no futuro. “Não estamos mais na idade de casar. A boa amizade existente em um namoro e a convivência com a pessoa amada vale muito mais que uma cerimônia oficial”, diz Elenísia, que agora terá de arranjar mais tempo livre no trabalho para dedicar-se ao namoro. José Messias, apesar de defender o uso da camisinha, admite não gostar e não usar preservativos nas relações sexuais. “Ainda está cedo para pensar nisso, mas se acontecer algo a mais entre a gente, podemos recorrer à camisinha feminina”, lembra Elenísia, rebatendo a desculpa do namorado.



Categoria: Textos Jornalísticos
Escrito por Ailim Braz às 02h31
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Política

O homem da segunda chance

 

Ailim Braz

 

                                  Foto: Roberto Fleury/UnB Agência

Que em política e em CPI quase tudo acaba em pizza isso já sabemos, mas acabar em show de forró, desfile de modas ou jogo de apostas, isso é novidade. Passada as eleições, o Congresso, o Senado e o Buriti prometem despertar a atenção dos eleitores. Além da estréia de Clodovil e Frank Aguiar no cenário político, personagens conhecidos por má índole voltam a roubar a cena em Brasília. É o caso de José Roberto Arruda. Cinco anos depois de violar o painel eletrônico no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado, o mineiro de Itajubá ganha as eleições e assume o Governo do Distrito Federal (GDF).

Arruda chega ao GDF com propostas audaciosas. Regularizar condomínios, expandir o metrô e levar campus da Universidade de Brasília para dez cidades pólos, são algumas das mais polêmicas. Inspirando-se em Juscelino Kubitschek, diz-se tímido e não ousado em propor tamanhos projetos à Capital da República. Ao contrário do governo anterior, que não deixou de caprichar nos viadutos e pontes, o novo governador pretende ir além.  Para isso, buscará fortalecer alianças políticas e dialogar com demais representantes do poder público independentemente do partido ao qual pertençam. Aprender com quem já passou pelo Buriti também é cabível a Arruda. Não se espera que rompa com a política anterior, mas que a complemente e, assim, consiga cumprir o plano de governo desenvolvido durante a campanha.

Em tempos de mensalão e máfia das ambulâncias, a quebra de decoro cometida por Arruda parece não ter a mínima importância. Afinal, qual o mal de se expor a posição ideológica dos parlamentares em quem votamos? Não fosse a mentira e o interesse político que motivou a atitude do Senador, Arruda teria feito um favor a toda a sociedade brasileira. Seu maior erro talvez tenha sido negar as acusações quando a investigação já o apontava como um dos responsáveis pela violação e a falta de ética e respeito ao renunciar ao mandato e fugir da cassação e inelegibilidade de oito anos.

Collor fez bem pior e está de volta. Porém, o reconhecimento do erro, o comprometimento com as questões sociais, a humildade e o respeito ao próximo, além da simpatia passada naturalmente aos eleitores, diferencia os dois políticos. O fato de Arruda tentar manter uma vida simples, em contato quase freqüente e direto com os cidadãos comuns, em churrascos e festas populares, por exemplo, parece ter contribuído para inspirar o sentimento de esperança e confiança na próxima gestão, a ponto de o ex-senador merecer uma segunda chance. Resta-nos esperar e cobrar as promessas que não venham a ser cumpridas.



Categoria: Textos Jornalísticos
Escrito por Ailim Braz às 02h10
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Segurança

Muitos carros, poucos homens, e vários furtos

 

Apesar das muitas viaturas, contingente policial do Guará é insuficiente para atender à demanda de furtos

 

Ailim Braz e Bianca Fragoso

  

                        4ª DP, do Guará. (Fonte: http://www.pcdf.df.gov.br/dpc.asp )        

 

            Morar no Guará quase sempre foi sinônimo de tranqüilidade. Caminhar à noite pelas ruas, freqüentar os bares e restaurantes da cidade, estacionar despreocupadamente em qualquer lugar. Tudo isso era comum na vida da maioria da população guaraense. Nos últimos anos, porém, a falta de segurança tem transformado o sossego em medo. Carros têm sido arrombados, o tráfico de drogas tem se tornado comum em algumas quadras, pequenos furtos têm acontecido com freqüência e até homicídios, mesmo que isolados, têm chamado a atenção da mídia.

Segundo o delegado da 4ª DP (Delegacia de Polícia), Victor Dan, o Guará é uma cidade tranqüila. Com aproximadamente 112 mil habitantes, as ocorrências mais freqüentes são de roubo no interior de veículos e acontecem normalmente nas quadras comerciais. “Os crimes aqui, em relação às demais cidades são de pequena gravidade. São raros os casos de proporção maior. Os homicídios, latrocínios e seqüestros, por exemplo, são casos isolados. De agosto para cá, ocorreram quatro assassinatos”, afirma.

A estudante Nayara Lima, 18 anos, teve seu celular roubado, na QI 08 do Guará I, quando voltava da escola, em setembro. Por volta das 12h30, um homem armado abordou a garota ameaçando atirar. Sem reagir, Nayara entregou o objeto ao assaltante, que fugiu em seguida pedindo para ela não olhar em sua direção.

O cerco ao tráfico de drogas tem sido feito por meio de operações especiais, como a do “Lobo-guará”, realizada desde 2005. Conforme a agente Valquíria Gomes, o comércio de entorpecentes é feito principalmente nas quadras 05 e 09 do Guará I, e 38, 40 e 42, do Guará II. A plantonista, que trabalha há quatro anos na 4ª DP, acrescenta que os chamados à polícia por perturbação da ordem pública, caracterizados por festas e insistentes barulhos durante a madrugada, algumas vezes levam ao encontro e apreensão de drogas.

Para Victor Dan, embora a quantidade de viaturas que compõem a frota da 4ª DP seja suficiente para atender toda a região, o reduzido número de policiais dificulta o trabalho. Atualmente, a Delegacia de Polícia do Guará também atende às comunidades próximas ao jóquei, algumas quadras do Park Way e o Lúcio Costa. Para resolver a falta de pessoal, o delegado lembra que a contingência da polícia será ampliada com a contratação dos aprovados no último concurso. Ainda conforme o delegado, a Polícia Civil é mantida pela União e, por isso, está bem aparelhada.

Em relação à  ampliação do Guará com a criação de novas quadras, Dan garante: “provavelmente o serviço da delegacia aumentará, mas isso não significa que a criminalidade seguirá a mesma tendência”.

 

Parcerias

Para combater a criminalidade, polícia e sociedade têm agido em parceria. É o que assegura o delegado Victor Dan. “Em toda cidade satélite existe o Serviço de Segurança Comunitária, no qual um grupo de moradores se reúne para discutir os problemas da segurança e repassá-los aos policiais, que integram a SPCom, Sessão de Policiamento Comunitário da delegacia”, explica.

Outra forma de parceria deveria ser mantida também com a imprensa. Mas não é o que costuma acontecer. Para o delegado, o repasse de informações à mídia costuma atrapalhar. “O que deve ser passado para a mídia deve ser somente o essencial, ou apenas a conclusão das investigações. O papel dos veículos de comunicação deveria ser o de apresentar criminosos e os casos de fuga, para facilitar na localização e prisão de fugitivos.”



Categoria: Textos Jornalísticos
Escrito por Ailim Braz às 09h50
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Desigualdade Social

Sexo, drogas e Racionais

 

Crianças da Rodoviária, precoces na vida sexual, têm como hobby o uso de drogas e o som dos Racionais

 

Ailim Braz e Bianca Fragoso

 

Filas enormes para entrar no ônibus, ambulantes à espera de fregueses, pedintes à procura de esmolas e muita gente apressada por todos os lados. Não é preciso muita imaginação para adivinhar qual o lugar acima descrito, onde mais de 500 mil pessoas transitam diariamente. Definidos por muitos como sendo “o inferno de Brasília”, a Rodoviária do Plano Piloto abriga muitas histórias e personagens. Além dos trabalhadores que a freqüentam, há muita gente que faz do local o seu lar. Ignoram a sujeira, a miséria, a violência, os ratos e insetos, tudo em nome da liberdade e das drogas. Saem de suas casas, geralmente na periferia do Distrito Federal ou no entorno, por se sentirem mais à vontade nas ruas, ao lado de pessoas que consideram “amigos” ou até mesmo “irmãos de rua”.

Nessa vida de perambulação urbana, os moradores da rodoviária iniciam cedo a vida sexual, têm contato com a criminalidade e um dos poucos momentos de prazer que vivenciam ou é proporcionado pelo tinner, ou pelo som da banda Racionais.

 Tatiana Luiza Rodrigues*, 14 anos, mora na rodoviária desde os oito. Vivia antes em Planaltina, mas ia sempre ao Plano Piloto, influenciada pelas primas, em busca de tinner, do qual tornou-se dependente. Com o tempo, decidiu ficar de vez e abandonar a família. Apesar da dificuldade em manter a higiene pessoal, a menina, que sonha ser advogada, procura manter-se sempre limpa e bem vestida. Confessa, inclusive, cometer pequenos furtos para adquirir roupas, sapatos e cremes.

Aparentemente vaidosa, Tatiana espera a volta do namorado, preso acusado por tráfico de tinner, e relembra as experiências amorosas tidas com o rapaz. “Quando rolava um clima a gente ia pra barraca, num gramado atrás da rodoviária. Já transei sem camisinha porque na hora não tinha”, conta, rindo, a menina que iniciou a vida sexual aos 12 anos. E acrescenta: “não tenho medo de engravidar nem de pegar doença”.

Ao contrário de Tatiana, Bonifácio do Nascimento*, 14 anos, afirma sempre se proteger no ato sexual, o qual pratica desde os onze, no “mocó”. O garoto, tirando três pacotes de camisinha do bolso, explicou que “uns tios” distribuem preservativos na Rodoviária. Mas, segundo ele, muitas pessoas também aparecem com más intenções. “Uns caras chegam e chamam as meninas pra cheirar tinner e aí eles estupram e matam elas”, relata. A maconha é vendida a cinco reais, enquanto o tinner, usado pela maioria, custa um real.

Expulsa de casa pela mãe, ao ser descoberta usando drogas, Neuza Neila, 22 anos, gosta da vida que leva. De cabelos curtos e pintados, e aparência masculina, declara-se bissexual, mas tem preferência por mulheres por serem “mais delicadas e carinhosas”.  Possui um filho, que mora com a avó, em Brazlândia. Apesar das mágoas com a mãe, por ter sido tirada de casa, Gasparzinho, como prefere ser chamada pelos amigos, reconhece os erros cometidos. “Quem não gosta da própria mãe não gosta de si mesmo. Sei que ela agiu certo, mesmo assim não voltaria pra casa se ela me perdoasse.”

 

Solta o som

“O rap é minha vida, u breck é minha danxa, hip hop é o movimentu kaprendi desde crianxa”. O verso tirado da música “A vida é assim”, parece definir claramente o gosto musical dos meninos de rua. A banda Racionais é a primeira da lista quando o assunto é música. Sem aparelhos próprios para ouvir o grupo predileto, a opção é curtir o ritmo nas banquinhas de CD espalhadas no centro da Capital.

Por retratarem nas letras uma realidade mais próxima da qual vivem nas ruas e que, muitas vezes, é ignorada pela sociedade, os jovens se identificam com grupos e músicas que tocam com maior freqüência nas rádios.

Calypso, Bruno e Marrone, Zezé de Camargo e Luciano também estão entre os mais ouvidos.

*Nome fictício



Escrito por Ailim Braz às 21h39
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Cinema 1/2

Colírio para os olhos

Cineastas e diretores investem no sexo e nudez para despertar a atenção dos espectadores

 

Ailim Braz e Veronica Bemfica

 

            Marcar aquele “cineminha” com os amigos no final de semana, comprar pipoca com “refri” e curtir a estréia da semana. Nada mais comum para quem mora em Brasília e vive reclamando da falta de opções de lazer. As salas de cinema oferecem muitas opções. O difícil é optar pela melhor.

Dessa vez, o filme escolhido em uma das idas ao shopping foi Dália Negra, do diretor Brian De Palma. Acostumados com o exagero das cenas de violência e sexo, de praxe na maioria de seus filmes, ficamos surpresos com a linguagem usada para retratar os temas na nova produção. A abordagem da sexualidade, por exemplo, mostrou o desejo carnal entre homem e mulher, mas sempre de forma sutil.

Cena do filme "A Dália Negra"

Em geral, aos filmes que apresentam cenas de sexo e nudez, assimila-se a idéia de sucesso garantido. Como propõe a teoria culturológica, ao tentar agradar às massas, apela-se para a introdução de assuntos que seduzam a um público com os mais variados estilos e gostos. Nesse ponto, o ingrediente mais fácil para alcançar a audiência é a sexualidade. Apesar de atingir o objetivo, a abordagem sexual de maneira violenta e apelativa não agrada a todas as pessoas.

Embora os espectadores estejam acostumados com o sexo e a nudez escancarados na TV e no cinema, nota-se que uma parcela da população ainda se sente incomodada com a forma como o amor e as relações amorosas são introduzidas nas tramas. Valeria a pena ignorar a opinião desses espectadores e introduzir o sexo, a todo custo, nos produtos audiovisuais como forma de garantir o público? Apresentar o nu artístico – a beleza da nudez sutil e poética – não seria mais agradável e atraente aos nossos olhos?

A discussão sobre o assunto é polêmica e divide opiniões. Numa amostra de dez alunos da Universidade Católica de Brasília, 60% dos entrevistados se disseram incomodados com a abordagem explícita da sexualidade no cinema. Segundo os estudantes, a relação entre o casal é mostrada de forma a não valorizar o sentimento amoroso e sim, o desejo sexual, como algo avassalador, contagiante, que se limita a propiciar prazer.

Já os 40% restantes se disseram satisfeitos. Não se incomodam com a exposição apelativa do sexo no cinema e, pelo contrário, preferem. “O assunto é de interesse e conhecimento de todos. Atualmente, até crianças sabem falar sobre o assunto. A amostra implícita da sexualidade representa a imposição do sexo como algo errado e vergonhoso”, diz o estudante do quarto semestre de Jornalismo, Chico Amorim.

 Ainda conforme a maioria dos estudantes, a forma de se tratar o sexo deve ser branda e a mais natural possível e, acima de tudo, informar sobre as doenças e valorizar as relações afetivas. O sexo deve ser fruto de um romance e não de um encontro momentâneo e sem compromisso.

          Algumas pessoas, principalmente as crianças, quando assistem a filmes ou novelas, têm dificuldade em separar o que é real do imaginário. Dessa forma, como afirma Edgar Morin, no livro “Cultura de massas no século XX”, ou poderão se sentir realizadas com a história do filme, projetando-se nos personagens e deixando de vivenciar em seu cotidiano o que assistem ou, ao contrário, se identificar com a narrativa e buscar maneiras de exercer as mesmas atitudes na vida prática.

          Os universitários queixam-se de um enfoque mais informativo nos produtos culturais. Além do objetivo de entreter, os filmes deveriam aproveitar a atenção e interesse que despertam nos espectadores para investir em campanhas de cunho social. No caso da sexualidade, poderia expor a necessidade do uso de preservativos, a existência das DST (doenças sexualmente transmissíveis) e a questão da gravidez na adolescência. Afirmam ainda que o fato de o sexo ser um chamariz nas produções televisivas e cinematográficas, dependendo da forma como é apresentado pode induzir as pessoas a comportamentos precipitados e errantes.

          Mas dessa forma a arte não perderia suas principais características e funções? Onde buscaríamos a abstração sentimental, a fuga da realidade? Teria como conciliar informação e arte em apenas um produto? A arte por si só, já transmite informações. Explícita ou implicitamente, a informação está lá, mesmo que dependa da interpretação e percepção de cada pessoa. No caso do cinema, o espectador pode, a partir do conhecimento que possui acerca dos diretores, produtoras e gêneros fílmicos, optar por qual filme assistir, afinal, ninguém é obrigado a se expor a conteúdos que não lhe agrade. E mesmo que não entenda de cinema e busque informações prévias sobre o que assistirá, pode ainda levantar-se da poltrona e sair da sessão.



Categoria: Textos Jornalísticos
Escrito por Ailim Braz às 01h31
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Saúde

“NORMOSE”: ATÉ ONDE A ROTINA PODE SER SAUDÁVEL?

                                                                        Ailim Braz

 

Descer do ônibus, atravessar a rua e caminhar até o local pretendido. As mesmas pessoas, as mesmas paisagens, a mesma rotina de todos os dias, meses ou anos. De tão acostumados com o caminho percorrido todas as manhãs, chega a ser possível caminhar lendo algum texto e até mesmo caminharmos de olhos fechados. Exagero? Nenhum. A verdade é que, de fato, quase sempre já andamos de olhos fechados, impedidos pela “mesmice” do cotidiano, de repararmos as coisas, lugares e pessoas à nossa volta. São sintomas da normose. Um mal que atinge a cada dia, mais e mais pessoas em todo o mundo.

O termo “normose” foi criado pelo francês Jean Yves Leloup para designar as práticas inconscientes das pessoas que muitas vezes fazem o que se acostumaram a fazer – muitas vezes por obrigação – e não por sentirem prazer. Dessa forma, não apenas pela rotina, mas também por se verem submetidas a uma atitude socialmente definida como normal, os sujeitos se adaptam ao que fazem, sem questionar ou perceber como agem.

O significado de normose vai além do que imaginamos. Ela se divide em várias especificidades, podendo existir desde uma normose alimentar até uma sexual e consumista. Dessa forma, a normose apresenta-se como uma questão cultural. Quando estamos sujeitos a uma determinada cultura, certamente já estamos condicionados a uma normose. Por que dormimos, ou deveríamos dormir oito horas diárias? Por que devemos nos vestir com algo mais apropriado do que um pijama quando saímos à rua? Certas práticas cotidianas, quando não seguidas, poderiam causar grande constrangimento. Mas até onde iria uma dependência saudável ao que a cultura e a sociedade nos impõem?

De acordo com Pierre Weil, que também estudou sobre os efeitos e propriedades da doença, podemos distinguir duas grandes categorias de normoses: as normoses gerais e as normoses específicas. As normoses gerais são as que possuem um consenso comum a praticamente toda a humanidade. Nessa propriedade se enquadraria, por exemplo, a prática de ingerir socialmente bebidas alcoólicas, um costume bem aceito na maioria das sociedades. Já as normoses específicas têm o seu consenso restrito a determinada nação, população, grupo social ou cultural. Como exemplo, poderíamos citar no caso do Brasil o costume de se comer arroz com feijão e beber café após as refeições. Assim, dentre as duas categorias poderão surgir várias outras ainda mais complexas, em níveis de maior ou menor grau de nocividade. O tratamento de cada normose exigiria então, a adoção de medidas de efeito tanto no plano social como no individual, onde a sociedade e os indivíduos teriam de educar-se psicologicamente a ponto de indagarem sobre seus atos e terem consciência de até onde a rotina ou a adoção de práticas tidas como “normais” não prejudiquem sua vida.

A estudante do 4º semestre de Jornalismo, Joceline Gomes, já sofreu na pele as conseqüências da normose. Quando trabalhava como operadora de telemarketing, há seis meses, passava o dia inteiro a atender telefones, a dizer as mesmas coisas, e a passar pelos mesmos caminhos. “Um dia cheguei no trabalho e não sabia como tinha chegado. Olhei em volta, e nada. Foi aí que me demiti e resolvi apelar guerra contra a rotina. Nunca mais quero sentir aquilo”, diz a estudante.

Quase que com os mesmos sintomas de Joceline, o agente de estação do metrô de Brasília, Chico Amorin, por pouco não se entregou à depressão emocional. Em dois anos de trabalho, o funcionário já testemunhou entre os colegas dois casos de funcionários afastados da função por estarem emocionalmente abalados. Para não ter o mesmo destino dos amigos, tenta preencher as horas de folga com atividades que lhe dêem prazer.

Apesar das vantagens oferecidas no funcionalismo público, como a estabilidade e os bons salários, os casos de normose são mais comuns que no setor privado. Um levantamento feito pelo Instituto OlhosDaAlmaSã demonstrou que nos anos de 2002 e 2003, no estado de Goiás, a depressão foi a maior causa dos afastamentos do trabalho.



Categoria: Textos Jornalísticos
Escrito por Ailim Braz às 01h15
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Comportamento

Lição a Ensinar

Estudar e trabalhar não é fácil. Ainda mais quando se chega aos 50

                                                                               Ailim Braz 

          

Aos 53 anos, Adelaide Elbo Amorim sonha em viver à beira mar, numa região paradisíaca, ao lado de amigos e familiares. Estudante de Pedagogia, na UnB (Universidade de Brasília), a funcionária pública da Embaixada de Portugal divide as horas do dia entre o trabalho e as atividades acadêmicas, no período noturno.

          Separada e mãe de um filho de 28 anos, chegou de São Tomé, antiga colônia portuguesa, há cerca de seis anos. Desde então, somente em 2005 pôde realizar um desejo antigo: ingressar no curso superior. Embora sua primeira opção de curso fosse História, Adelaide sente-se satisfeita em cursar Pedagogia. Segundo a estudante, o curso lhe surpreendeu de forma “muito agradável”. “O currículo passou por reformulações e, agora, a atuação do pedagogo pode ir além da sala de aula”, contenta-se, pensando em poder usar a formação para progredir na carreira iniciada na Embaixada.

          Uma das coisas que mais agrada à portuguesa é a diversidade etária com a qual convive na Universidade. Do escritório para a sala de aula, o ambiente burocrático e estressante dá lugar à descontração e à amizade. Adelaide não reclama de preconceito, aliás, nega a existência de qualquer discriminação em relação à sua idade. Pelo contrário. Todos a respeitam e admiram seu esforço e desempenho nas atividades estudantis. “Me sinto confortavelmente bem integrada. Estudar me proporciona um crescimento pessoal e a convivência com pessoas de outras idades me permite fazer regressões à minha juventude, recuperar a flexibilidade e a disposição que a gente perde com o tempo. Me sinto cada vez mais jovem”, acrescenta.

          Se há dificuldades? Poucas. Adelaide reclama apenas da falta de tempo. Por trabalhar praticamente nos três turnos do dia, ainda tem que se desdobrar nos trabalhos extra-classe. Seu maior incentivo é a motivação que o curso lhe oferece.

          Objetivos? “Concluir o curso, é claro! Especialização, mestrado, doutorado, para tudo há um tempo. Mas um passo de cada vez, não é? Agora é hora de pensar na graduação”, brinca Adelaide. Há anos trabalhando na mesma função – desde antes de vir para o Brasil –, a graduanda pretende lecionar apenas ao se aposentar. “Não vejo porque largar o emprego e a carreira que alcancei para começar do zero. Pretendo utilizar a formação administrativa e institucional de Pedagogia para progredir na área em que atuo”, explica-se.

          “Meu maior desejo agora é concluir o curso o quanto antes. Se voltarei ou não a Portugal, é uma incerteza. Quem sabe um dia, aposentada, eu volte à ilha de São Tomé para dar o meu contributo à terra onde nasci”, idealiza.



Categoria: Textos Jornalísticos
Escrito por Ailim Braz às 19h53
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Internacional

Líder cubano diz que não há vazio de poder

 
Ailim Braz

Há algumas semanas, por motivos de saúde, Fidel Castro foi internado em estado grave e passou a Presidência ao seu irmão Raúl Castro. Desde então, a falta de um comunicado oficial feito pelo próprio ditador contribuiu para o surgimento de especulações sobre o seu verdadeiro estado clínico. Contrariando as indagações a respeito de uma possível piora, o vice-presidente de Cuba, Carlos Lage, afirma a retomada do poder pelo líder cubano nos próximos dias. Enquanto isso, a população afirma haver atualmente um “vazio de poder” e aproveita para realizar manifestações contra uma possível sucessão presidencial. Demonstra, assim, o desejo de ter sua voz ouvida, viver em uma nação livre, com direitos estabelecidos e sem opressão ditatorial.

Carlos Lage nega a existência de um câncer em Fidel. “Ele foi operado, a operação foi um sucesso, e ele está se recuperando”, afirma o vice. Em defesa do presidente substituto, Raúl Castro, acusado de não estar cumprindo com as obrigações presidenciais, nem aparecendo na mídia, Lage questiona: “Quem disse que para que um país esteja em ordem e caminhando a pessoa que assume a Presidência deve sair para fazer graça à imprensa?”.

De olho em Cuba, os Estados Unidos aguardam o melhor momento para agir. Desde a retirada das empresas norte-americanas do país, a partir de 1960, conflitos entre os dois países são constantes. O afastamento definitivo de Fidel do governo representaria para os EUA uma forma de ampliar o poderio na América e de pôr fim à única nação socialista do continente.

Devido às circunstâncias de incertezas, a população demonstra-se preocupada com o futuro da ilha. As constantes afirmações de melhora no quadro de saúde de Fidel poderiam não passar de uma jogada política para inspirar a estabilidade no país, evitar possíveis revoltas entre os cubanos e driblar as intervenções norte-americanas em Cuba.



Categoria: Textos Jornalísticos
Escrito por Ailim Braz às 09h49
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Ciúme

Crime movido a ciúme e bebida

 

Mulher é morta a facadas por namorado que não tolerava cigarro dentro de casa

                                                                                                 Ailim Braz

 

Rosival Ferreira, preso na 30ª DP, em São Sebastião (foto: Adilson Ribeiro)

 

Ciúme e cigarro. Esses foram os motivos para que Rosival Ferreira de Morais, 26 anos, perdesse a cabeça e esfaqueasse Maria Andrelina de Jesus dos Santos, 32 anos, com quem namorava havia dois anos. De acordo com informações da 30ª DP, o crime aconteceu por volta de meia-noite de domingo (06/08), na casa da vítima, no Bairro Vila Nova, de São Sebastião.

Após atingir a namorada no peito, Rosival, ferido no braço, se dirigiu ao Hospital Regional do Paranoá, onde foi preso em flagrante. Maria foi socorrida no Hospital de Base, mas não resistiu aos ferimentos e morreu.

A vítima morava de aluguel em um lote dividido entre outras três famílias. Na noite do crime, divertia-se com os amigos tomando cerveja e conversando, no próprio quintal. Em determinado momento, Maria Andrelina teria oferecido cigarro a um rapaz, contrariando o namorado que há tempos proibia a entrada de cigarro em casa. Observando a situação, Rosivaldo iniciou a discussão que não acabaria naquela hora. Ele foi até sua casa, pegou uma faca e voltou ao encontro da moça. Ao retomar a briga, partiu para cima de Maria puxando os cabelos e cravando a faca em seu corpo. Nesse instante, só estavam presentes o casal e uma amiga da vítima.

Segundo o autor do crime, as brigas eram comuns entre o casal, porém, desta vez, Rosival não conseguiu se deter. Para Maria Antônia Monteiro, proprietária do lote onde morava a vítima, o fato de Maria Andrelina querer romper o relacionamento pode ter contribuído para o crime.

Conforme depoimento do autor do homicídio, foi tudo “um acidente”.  Apesar de reconhecer as constantes ameaças de que “se ela não ficasse com ele, não ficaria com mais ninguém”, Rosival demonstra-se arrependido. “Eu nem percebi o que tinha feito. Só quando me prenderam fiquei sabendo que ela tinha morrido”, declarou.

Após a liberação do corpo, Maria Andrelina será enterrada em Itubera (BA).



Categoria: Textos Jornalísticos
Escrito por Ailim Braz às 12h18
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Vingança

Filho mata agressor da mãe

 

                                                                        Ailim Braz

 

Paulo Marcos de Oliveira Sampaio, 20 anos, e seu amigo, Leonardo Gomes da Mota, 19 anos, mataram a paulada Antão Guimarães de Souza Neto, 39 anos. O crime ocorreu na noite da última terça-feira (08/08), por volta de 22 horas, próximo à linha férrea do Riacho Fundo.

Segundo os acusados, o ataque foi sem a intenção de matar. Tudo o que queriam era dar uma lição em Antão, que horas antes teria agredido a mãe e a tia de Paulo Marcos.

Decidido a vingar-se do ex-companheiro da mãe, Paulo chamou um amigo para ajudar na abordagem ao agressor. Os jovens encontraram Antão e o atingiram na cabeça com um pedaço de pau. Inconsciente, Antão foi levado de volta para a casa da tia, a doméstica Elionor Evangelista de Souza.

De lá, os adolescentes chamaram a polícia, encaminharam Antão para o hospital e foram até a 29ª DP, prestar queixa sobre as agressões sofridas pelas senhoras e deram esclarecimentos em relação ao ataque a Antão. Enquanto a ocorrência era feita, chegou a notícia de que Antão havia morrido. Paulo e Leonardo foram presos por homicídio.



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Escrito por Ailim Braz às 12h01
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Flagrante

Dois torturadores são presos em flagrante

 

Vizinha denuncia e polícia evita que família sofra nas mãos de bandidos

 

Acusados, no momento da prisão. (foto: Wendel Gomes)

 

Uma família da SQ 15, da Cidade Ocidental, teve o sossego do lar violado na manhã de ontem (09/08). Ao sair para a escola, por volta das 7h15, a filha do administrador de empresas Elzo Pereira Martins foi abordada por dois homens no portão de casa. Os assaltantes Luís Fernando Alves dos Santos, 28 anos, e Joaberson Leonardo Fernandes, 24 anos, entraram na residência, amarraram os quatro moradores e torturaram as vítimas com choque elétrico. Mal sabiam eles que uma vizinha tinha testemunhado a abordagem e ligado para a polícia. Os acusados portavam duas armas calibre 38.

De acordo com o Centro Integrado de Operações de Segurança (Ciops), os assaltantes não agiram sozinhos.  Haveria ainda uma terceira pessoa envolvida para ajudar na fuga e que teria informado a Luís Fernando e Joaberson sobre a existência de dinheiro na casa, além dos dois carros com os quais fugiriam.

Ao receber a ligação da vizinha, que não quis se identificar, a polícia pôde evitar o pior. Em cerca de 30 minutos, uma equipe chegou ao local do crime e surpreendeu os assaltantes, sem que houvesse reação ou troca de tiros. O Ciops informou que isso só foi possível graças à rapidez do comunicado feito por telefone.

A Polícia Civil da Cidade Ocidental prossegue com as investigações. Os acusados aguardam julgamento no presídio da região e responderão pelo crime de roubo com restrição de liberdade. Se forem condenados, pegarão de quatro a 12 anos de prisão. Luís Fernando é foragido da cadeia de Luziânia, onde já havia cumprido pena por roubo e homicídio.



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Escrito por Ailim Braz às 11h53
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Polícia

Desaparecimento misterioso

 

Estagiária desaparece e namorado é acusado de seqüestro

Fabiana e o namorado, Cristiano, desaparecidos desde o dia 04/08

 

Desde a última sexta-feira, Fabiana de Jesus Monteiro está desaparecida. A jovem de 20 anos foi abordada pelo ex-namorado quando saía do trabalho, na 502 Sul, e desde então não dá notícias à família. Testemunhas afirmam terem visto Cristiano Alves de Jesus, 26 anos, agarrar Fabiana pelo braço e obrigá-la a sacar todo o salário, depositado em sua conta naquele dia. Do caixa eletrônico a vítima teria sido puxada para dentro de um Santana azul, placa JEU-6287/DF, que ainda não foi localizado. O caso foi registrado na 1ª DP, da Asa Sul.

Segundo a amiga de trabalho de Fabiana, Gilmara Prudêncio, Cristiano ligou várias vezes para o celular da ex-namorada no dia do desaparecimento. Como Fabiana não atendia, Cristiano foi buscá-la na porta do Ministério da Cultura, onde estagiava. Angélica Carolina Cardoso, que também trabalhava com a estagiária, presenciou quase toda a movimentação. Ao perceber a insistência de Cristiano em levar Fabiana, Angélica ligou para a família da jovem.

De acordo com a família e os amigos de Fabiana, a garota já havia dado um basta no relacionamento. “Ela dizia não agüentar mais o Cristiano. Ele andava sempre armado e queria dominá-la, controlar seus passos, seus telefonemas, sua vida. Eles tinham terminado há pelo menos três meses”, afirma Gilmara.

Os pais de Fabiana, Cícero Alves Monteiro e Benilde Maria de Jesus Monteiro, afirmam já terem registrado ocorrência contra Cristiano outras vezes. Em dezembro, o jovem teria surpreendido a namorada no portão de casa ao chegar da escola com um amigo. “Nós sempre fomos contra o namoro dos dois. E, por isso, fomos até ameaçados de morte por Cristiano”, dizem.

Segundo os pais da desaparecida, a mãe de Cristiano sabe para onde sua filha foi levada. “Ela certa vez chegou até a afirmar que eles estavam na Bahia, mas depois voltou atrás, se fazendo de desentendida”, diz Benilde.

Enquanto os conhecidos de Fabiana comentam o lado obscuro do comportamento de Cristiano, a mãe do acusado, Cleuza Alves de Jesus acredita que tudo não passa de um exagero. “Ela não é tão santinha como dizem. Chegou até a morar aqui em casa por um tempo e vivia enganando os pais para poder ficar com meu filho. Se eles estão juntos é porque ela quis fugir com ele, apesar das brigas e constantes crises de ciúme pra cima do Cristiano”, comenta Cleuza.

A polícia investiga o caso e ainda não deu um parecer definitivo.



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Escrito por Ailim Braz às 11h41
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3ª Idade

No embalo da dança

 

Idosos do Guará e Lúcio Costa fazem da dança, viagens e atividades físicas motivo de saúde e qualidade de vida

 

O que eles querem é se divertir! Acordam cedo; caminham no calçadão; à tarde podem freqüentar as aulas de alfabetização; nas sextas e domingos arriscam um passo no forró; e de vez em quando ainda viajam em excursão. Essas são algumas das atividades realizadas pelo Grupo Amizade. Criado há 20 anos, o grupo é formado por idosos do Lúcio Costa e Guará 1 e ainda realiza encontros freqüentes com associações da terceira idade de todo o Distrito Federal.

Coordenado por Jane Teles, o salão onde acontecem as atividades se mantém com o lucro de bingos e doações dos participantes dos encontros. “Cada um traz um prato de salgado ou um refrigerante, contratamos uma banda, ou ligamos o som mesmo”, explica a coordenadora. Sem o apoio do Governo e com a precariedade do espaço, limita-se a oferecer bailes de dança, cursos dirigidos por voluntários e excursões, normalmente à Caldas Novas. As atividades físicas ficam a cargo de cada um. Mas a conscientização pelo esporte já é comum entre todos.

Segundo a aposentada Joana Evangelista, do Lúcio Costa, os encontros fazem bem para a saúde e para a felicidade. “Sempre dou um jeito de vir. Às vezes bate aquela solidão, e mesmo estando com a família em casa, sinto vontade de me divertir com os amigos. Tudo isso, para a gente, é uma terapia! Tem coisa melhor do que a pessoa se divertir?”, contenta-se.

Apesar das limitações impostas ao Grupo, nada desanima aos idosos. Na falta de parceiros na dança, dá-se um jeito. Vale dançar com a vassoura ou mulher com mulher, mas nunca perder o passo. O fundamental, conforme Jane Teles, é propiciar mais saúde, alegria, interação e qualidade de vida na 3ª idade, evitando a depressão e o sedentarismo.



Categoria: Textos Jornalísticos
Escrito por Ailim Braz às 22h11
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